CRÓNICAS NA RÁDIO DIANA

Évora‌ ‌2.0‌ ‌-‌ ‌Monitorização da Qualidade do Ar

A degradação da qualidade do ar é umas  das consequências mais nefastas da mobilidade 1.0 (a mobilidade centrada no automóvel)  que se faz através de emissão de gases e partículas. As partículas decorrem da combustão dos motores e do desgaste dos travões e pneus.  A poluição atmosférica é responsável,segundo a Agência Europeia do Meio Ambiente, por mais de 400.000 mortes prematuras na Europa. As partículas finas, com dimensões 20 vezes inferiores à espessura de um cabelo, são facilmente inaláveis e os seus efeitos são especialmente perniciosos entre crianças e idosos. 

Terena, no concelho do Alandroal, e Sines são as duas estações da CCDRA (Comissão de Coordenação da Região Alentejo)mais parte de Évora  e fazem parte de uma rede certificada de estações europeias que monitorizam a qualidade do ar na Europa. 

Em Évora, monitorizou-se a qualidade do ar , tanto quanto sabemos, pela última vez , em 2013.

E a partir da semana que vem, com sensores não calibrados é certo, o projecto Évora 2.0 vai começar a medir também um dos parâmetros mais sensíveis que afectam a qualidade do ar. Precisamente as partículas finas, aquelas que têm dimensões inferiores 20 vezes a espessura do cabelo. E onde vão ser feitas essas medições? Para já num dos locais mais importantes da nossa cidade: em frente às escolas. 

Dar-vos-emos  conta aqui das primeiras medições assim que tivermos os primeiros dados.

Évora‌ ‌2.0‌ ‌-‌ ‌Quando‌ ‌as‌ ‌crianças‌ ‌e‌ ‌os‌ ‌jovens‌ ‌pensam‌ ‌a‌ ‌mobilidade‌ ‌para‌ ‌a‌ ‌cidade‌ ‌

A‌ ‌partir‌ ‌da‌ ‌próxima‌ ‌semana‌ ‌começaremos‌ ‌a‌ ‌visitar‌ ‌as‌ ‌escolas‌ ‌de‌ ‌Évora.‌ ‌Cada‌ ‌Escola‌ ‌será‌ ‌visitada‌ ‌duas‌ ‌vezes.‌ ‌Numa‌ ‌primeira,‌ ‌levaremos‌  ‌a‌ ‌Mesa‌ ‌da‌ ‌Mobilidade.‌ ‌Uma‌ ‌Mesa‌ ‌gigante‌ ‌criada‌ ‌para‌ ‌o‌ ‌projeto‌ ‌que‌ ‌suportará‌ ‌uma‌ ‌fotografia‌ ‌aérea‌ ‌de‌ ‌grande‌ ‌formato‌ ‌da‌ ‌cidade‌ ‌de‌ ‌Évora.‌ ‌É‌ ‌à‌ ‌volta‌ ‌da‌ ‌mesa‌ ‌que‌ ‌vamos‌ ‌tentar‌ ‌perceber‌ ‌a‌ ‌que‌ ‌distância‌ ‌vivem‌ ‌os‌ ‌alunos‌ ‌da‌ ‌escola,‌ ‌como‌ ‌se‌ ‌deslocam‌ ‌no‌ ‌seu‌ ‌dia‌  ‌-a-dia‌ ‌e‌ ‌se‌ ‌gostariam‌ ‌de‌ ‌se‌ ‌deslocar‌ ‌de‌ ‌outra‌ ‌forma.‌ ‌

Um‌ ‌exemplo.‌ ‌A‌ ‌Ana‌ ‌tem‌ ‌14‌ ‌anos‌ ‌e‌  ‌vive‌ ‌a‌ ‌1500‌ ‌m‌ ‌de‌ ‌distância‌ ‌da‌ ‌sua‌ ‌escola,‌ ‌é‌ ‌o‌ ‌seu‌ ‌pai‌ ‌ou‌ ‌mãe‌ ‌que,‌ ‌alternadamente,‌ ‌a‌ ‌transportam‌ ‌para‌ ‌a‌ ‌Escola.‌ ‌Se‌ ‌a‌ ‌Ana‌ ‌preferir‌ ‌ir‌ ‌de‌ ‌bicicleta‌ ‌o‌ ‌que‌ ‌é‌ ‌que‌ ‌a‌ ‌impede‌ ‌de‌ ‌operar‌ ‌essa‌ ‌mudança?‌ ‌

a) ‌Razões‌ ‌do‌ ‌contexto‌ ‌familiar:‌ ‌não‌ ‌ter‌ ‌bicicleta,‌ ‌os‌ ‌pais‌ ‌não‌ ‌autorizarem.‌ ‌ ‌

b) Ou‌ ‌razões‌ ‌do‌ ‌contexto‌ ‌da‌ ‌cidade‌ ‌como‌ ‌,‌ ‌por‌ ‌exemplo,‌ ‌não‌ ‌sentir‌ ‌a‌ ‌cidade‌ ‌segura‌ ‌para‌ ‌andar‌ ‌de‌ ‌bicicleta.‌ ‌

Uma‌ ‌vez‌ ‌os‌ ‌dados‌ ‌recolhidos‌ ‌estes‌ ‌serão‌ ‌apresentados‌ ‌e‌ ‌discutidos‌ ‌numa‌ ‌segunda‌ ‌visita‌ ‌à‌ ‌Escola.‌ ‌ ‌Outras‌ ‌acções‌ ‌estão‌ ‌contempladas‌ ‌neste‌ ‌Projecto‌ ‌das‌ ‌quais‌ ‌vos‌ ‌falaremos‌ ‌numa‌ ‌próxima‌ ‌vez.‌ ‌Ainda‌ ‌temos‌ ‌datas‌ ‌disponíveis‌ ‌para‌ ‌nos‌ ‌deslocarmos‌ ‌às‌ ‌escolas‌ ‌de‌ ‌Évora.‌ ‌Se.‌ ‌porventura,‌ ‌estiver‌ ‌interessado‌ ‌em‌ ‌saber‌ ‌mais,‌ ‌contacte‌-nos.

Da Évora 1.0 à Évora 2.0

Évora 2.0 é o novo projecto da Gare apoiado pelo Fundo Ambiental. Este projecto pretende colocar as crianças e os jovens a pensar uma nova mobilidade para a cidade. Uma mobilidade 2.0. Uma nova versão da mobilidade consentânea com um novo paradigma de mobilidade centrado nas pessoas e não nos carros. 

O actual modelo de mobilidade da cidade, uma versão 1.0 usando a terminologia das versões de software,  tem conduzido a uma cidade, por via do seu planeamento e gestão quotidianos, a uma Évora autocêntrica dominada , quase em exclusivo, pelos carros.

A prova disso são os números. E a nossa percepção confirma-o. Em Évora, segundo os censos de 2011, quase 4 em 5 pessoas que se deslocavam-se diariamente para o trabalho faziam-no de automóvel. E cerca de ⅔ dos estudantes deslocavam-se também neste meio de transporte. Estes dados reportam há 8 anos atrás. A nossa percepção é de que o domínio do carro tenha ainda aumentado nos anos mais recentes.

Quer isto dizer que é residual o número de eborenses que se deslocam de transportes públicos, a pé ou de bicicleta.

As cidades autocênctricas não tratam bem as pessoas. Fazem-lhes mal. São deslocações caras para aqueles que se deslocam de carro e para a própria  cidade; e trazem problemas ambientais que decorrem da poluição do ar -são cada vez mais os estudos que associam múltiplas doenças graves e crónicas à poluição do ar provocada pelos gases produzidos pelos automóveis. Não menos importante são os problemas sociais das cidades autocênctricas. Cidades autocêntricas não promovem a autonomia nem a socialização entre as  crianças e os jovens, condenam os portadores de deficiência, os velhos e os pobres à solidão e fechamento em suas casas. 

O projecto Évora 2.0 promovido pela GARE visa contribuir para uma mudança de paradigma na área da mobilidade urbana e da sua governança. Através das suas ações , a iniciar brevemente nas escolas da cidade, pretendemos colocar as comunidades escolares a reflectir sobre a sua mobilidade actual, a pensar e a projectar como pode ser a sua/nossa mobilidade nos próximos anos; uma mobilidade centrada nas pessoas e menos nos automóveis. E como o vamos fazer em concreto? Bom, é disso que vamos falar na próxima crónica.

14/10/2019